Hip, Hip, Ula!!!


foto: Ricardo 19 / Facebook

Quando o Bacalhau me avisou que estava lançando disco com sua banda nova, eu fiquei todo interessado! Quem acompanhou as duas últimas décadas do rock brazuca sabe que, nesse tempo todo, esse cara não deu ponto sem nó. Monstros do Ula Ula! É esse o nome da banda "nova" do Bacalhau. Voltando um pouco no tempo a gente entende o motivo dessas aspas...


Em 1991, Wagner José Duarte Ferreira, ou Bacalhau como você preferir, formou o Acabou la Tequila com seus amigos de colégio. A banda pode contar com muita gente boa ao longo do seu período de atividade, entre eles, Marco Donida (que a gente vai falar um pouco mais dele daqui a pouco) e Jimmy London, que depois viriam a montar o Matanza. O Bacalhau se dividia entre a bateria do Tequila e do Planet Hemp, mas precisou abandonar a primeira quando os compromissos com a segunda apertaram, e para o seu lugar indicou o amigo André Paixão, mais conhecido como Nervoso. Anos depois, foi a vez do Nervoso indicar o Bacalhau para a vaga que estava deixando no Autoramas, uma das nossas bandas independentes mais importantes.


Lá por volta de 2003, enquanto o Bacalhau viajava o mundo com o Autoramas, alguns músicos de bandas amigas resolveram montar um projeto juntos. Estamos falando de Diba Delgado, do Matanza; Formigão, do Planet Hemp; Cadu, do Second Come; e o vocalista Bernardo. Assim nasceu o Monstros do Ula Ula. Se mantiveram ativos até 2009 quando resolveram dar uma parada.


A "nova" banda do Bacalhau resolveu voltar recentemente e acabou de lançar o eletrizante "A Balada do TikiSiriPolvo", que como não podia ser diferente, saiu pela Monstro Discos. Esse é pra quem gosta de dançar até cair! O único remanescente da formação original da banda foi o Diba Delgado, que além de recrutar o Bacalhau para a batera, ainda trouxe o Lucky Leminski, do Metalmania; Gus Santoro; e Olmar Jr, do Black Future.


Aproveitando o ensejo, bati um papo com o Bacalhau sobre tudo isso e mais um pouco!



sustenidoblog - O Planet Hemp foi uma banda que marcou época por levantar uma bandeira polêmica, e levá-la até o Mainstream. Foi um fenômeno na sociedade como um todo. Como foi atravessar tudo isso? O que as pessoas te falavam na rua?


Bacalhau - Foi importante naquele momento de abertura política nós marcarmos um posicionamento avançado para o momento. A nossa postura afirmativa sobre esse tema pouco debatido se faz pertinente ainda nos dia de hoje. Sei que demos avanços mas acho que foram poucos. Naquele momento tivemos um apoio de toda a classe artistíca e envolvimento de uma boa parcela de deputados ajudando na nossa libertação, sendo que o mais atuante e que nos visitava sempre era o Fernando Gabeira. Depois de passado o episódio da prisão (nota do editor: a banda chegou a ser presa em Brasília sob a alegação de que fazia apologia ao uso da maconha), foi bacana que tivemos a solidariedade de algumas pessoas na rua. Em relação a banda fizemos mais alguns shows e começaram as perseguições proibindo nossas apresentações. Na sequência, o Marcelo gravou o disco dele e eu fui tocar nos Autoramas seis meses depois.


sustenidoblog - Aí veio o Autoramas, uma das bandas mais importantes do nosso underground. Como foi essa mudança de ares? Vocês viajaram o mundo quase todo, né?


Bacalhau - Sim! Foi tranquilo (a entrada na banda)! Já conhecia o Gabriel (guitarra e voz) e a Simone (baixo e voz) há muito tempo, sempre estávamos juntos. Foi muito bacana! Gravamos o primeiro disco na sequência e vieram muitos discos, shows, ensaios, depois viajamos muito para o exterior.


sustenidoblog - O Monstros é de 2003, mas estava parado desde 2009. Como foi essa retomada de 2015? Sei que você sempre foi amigo dos caras, mas como você foi parar dentro do Monstros?


Bacalhau - Eu, além de amigo de longa data, sempre fui fã, incentivador, e quando estava no Rio, ia nos shows dos Monstros Do Ula Ula para curtir o som. Quando o Diba soube que eu tinha deixado os Autoramas ele me convidou para conversar e colocar o papo em dia. Ele disse que gostaria de voltar com a banda, mas só voltaria seu eu estive nela! Aquilo foi no momento de transição em que eu estava passando, e foi importante para seguir em frente. Então começamos a ensaiar e não paramos mais, fizemos músicas novas e juntamos com material conhecido da banda, mas nunca gravado. Entramos em estúdio e gravamos "A Balada do TikiSiriPolvo".


sustenidoblog - Mesmo com a banda existindo a tanto tempo, ela só gravou um álbum de tiragem bem pequena. Foi só para presentear os amigos, não foi? Daí você entra no jogo e a banda lança o "TikiSiriPolvo"! Foi você quem botou pilha nos caras, ou já existia essa vontade no retorno da banda?


Bacalhau - Isso, exatamente! Foi natural gravar um disco, todo mundo começou a pedir depois que voltamos. Gravação do disco foi bem tranquila e divertida na Audio Rebel, foram 2 semanas de gravação em junho 2016 e mais 2 de mixagem e masterização em agosto do mesmo ano no Estúdio La Cueva com Seu Cris. "A Balada do TikiSiriPolvo" foi lançado em junho 2017 em parceria com a Monstro Discos e estivemos lá (em Goiânia, cidade sede da Monstro Discos) agora em agosto lançando o disco no 23° Goiânia Noise Festival.


sustenidoblog - "A Balada do TikiSiriPolvo". O que este título significa? O mascote que aparece na capa do disco veio todo da cabeça do Donida (membro fundador do Matanza e pessoa responsável pela arte do disco)?


Nesse momento, o Bacalhau achou bacana chamar o Diba pra ajudar nas respostas, uma vez que ele é membro da banda desde o comecinho. E é claro que eu adorei poder conversar com o Diba também!


Diba - "A balada do TikiSiriPolvo", foi o que surgiu na cabeça quando nós fomos gravar. Eu pedi pro Donida fazer um Tiki, pra sair do ciclo vicioso das caveiras, e colocar uma alma mais praiana pra mostrar que nosso som não é metal, nem punk, nem nada com rótulo. O mascote misturado é meio que a cara da banda.


Bacalhau - O TikiSriPolvo é o nosso mascote, inspiração e representa um pouco todos da banda. E toda a arte do disco foi do Donida.


sustenidoblog - O disco tem uma mescla de músicas mais antigas e algumas mais novas. As mais antigas receberam uma roupagem nova deixando o disco todo na mesma vibração, ficando tudo bem pegado! Como foi a seleção das musicas?


Diba - Nós demos preferência ao material mais novo que essa formação, ou parte dela, compôs. Trabalhar a energia da nova formação! O que passou, passou...


sustenidoblog - E agora? Quais os próximos passos do Monstros?


Bacalhau: Ir para estrada o máximo que puder, lançando "A Balada do TikiSirPolvo" pelo Brasil e pelo mundo. Fazer mais músicas, gravar e lançar o clipe de talvez "Amor Bruto". Estamos negociando com o diretor Christian Schumacher que fez o nosso clipe de "Sem Sentido" música que abre o disco.


sustenidoblog - Pra quem não sabe, o Bacalhau criou o Bacafest, festival que acontece de tempos em tempos no Rio de Janeiro. Aproveitei pra perguntar sobre esse assunto pra ele também.


E o BacaFest? Como surgiu? Já tem uma próxima edição sendo pensada?


Bacalhau - Uma maneira de retribuir tudo que a música me proporcionou, faço no BacaFest, onde sou curador/produtor e mais um pouco. A idéia é dar um palco bacana com equipamento legal para as bandas novas, bandas na ativa, cantautoras, cantautores, instrumental se apresentarem, com palco, som e luz de qualidade. É isso que proporciono há todos que convido para participar do festival.

Acontece bimestralmente desde 2016 e agora os próximos BacaFest serão em setembro, novembro e BacaFest De Natal para fechar o ano.




Pra saber mais:

www.facebook.com/monstrosdoulaula

#monstrosdoulaula #bacalhau

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